Decifrando os nomes científicos
No número anterior abordámos o tema dos nomes científicos e da sua origem. Neste número vamos avançar um
pouco mais no entendimento dos nomes científicos, entrando no mundo das cores.

Recordemos, antes de mais, que alguns nomes são originários do latim e outros do grego.
Os nomes latinos são mais intuitivos, devido à maior proximidade etimológica com a linguagem corrente e isso é
facilmente perceptível em diversos nomes de cores, que se assemelham ao termo em português. Por exemplo, o
nome
Picus viridis, para o pica-pau-verde, é mais ou menos intuitivo. Mas o nome do verdilhão, Carduelis chloris, já não
o é. Com efeito, poucos serão os que sabem que “chloros” significa verde em grego. Ou seja, temos duas espécies
com cores parecidas mas com nomes específicos muito diferentes, resultante de num caso ter sido escolhido um
termo latino (
viridis) e noutro caso um termo grego (chloris). Refira-se, a propósito, que o nome do elemento químico
Cloro (Cl) deriva justamente do facto de ser verde.

Comecemos pelos nomes originários do latim. São muitas as cores que surgem na terminologia das aves e por isso a
informação é mais facilmente visualizada sob a forma de uma tabela. Assim, na tabela 1 apresentam-se as cores mais
representativas que surgem na terminologia das aves e dão-se alguns exemplos.
Analisando os exemplos apresentados, é possível constatar que a terminação do nome específico é variável, em
função do género, que pode ser masculino ou feminino. Por exemplo, no caso do nome “
niger", que significa negro,
existe a variante
niger (masculino) e nigra (feminino). Esta situação decorre da necessidade de concordância em
género entre o substantivo (que neste caso é o nome genérico) e o adjectivo que se lhe segue (o nome específico).
Note-se que nalguns casos o termo científico tem aposto o sufixo “ellus” ou “ella” ou ainda “escens”. Este sufixo latino
corresponde ao sufixo português “ado”, que aparece em termos como esbranquiçado, azulado, esverdeado e que
sugere “parecido com”.

Na tabela 2 apresenta-se um conjunto de exemplos semelhantes, mas neste caso oriundos do grego. O significado
destes termos é menos imediato, dado que não se assemelham a termos do português corrente.

Entre os exemplos apresentados, há dois que merecem ser analisados em pormenor, nomeadamente o flamingo e a
águia-real. Em ambos os casos verifica-se que o nome binomial tem uma origem mista (um termo em latim e outro em
grego), o que resulta, nos dois casos, numa redundância do significado.
No caso da
águia-real, o nome genérico (Aquila) significa águia em latim, ao passo que no nome específico, a
segunda parte do termo (
aetos) significa águia em grego. Deste modo, a tradução literal do nome é “águia águia
dourada”, o que é uma redundância.
Quanto ao
flamingo, encontramos a situação inversa: o nome genérico (Phoenicopterus) é originário do grego e
significa “vermelho + penas” (asa) enquanto que o nome específico (
roseus) provém do latim e significa também
vermelho. Assim, a tradução literal conduz-nos a “asa vermelha vermelho” o que também é uma redundância.
Este tipo de situações é relativamente frequente.
Decifrando os nomes científicos
II - As cores

por Gonçalo Elias
avesdeportugal.info
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Este artigo foi originalmente publicado na revista Pardela, nº 35 (2009)
São devidos agradecimentos à Profª Leonor Santa Bárbara, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Universidade Nova de Lisboa, pela verificação da grafia e do significado nos nomes latinos e gregos .

Citação recomendada:
Elias, G., 2011.
Decifrando os nomes científicos: II - As cores in avesdeportugal.info [em linha].
Consultado em aaaa.mm.dd. Disponível em: http://artigos.avesdeportugal.info/nomes2